
por Wanda de Andrade.
30 anos depois do primeiro filme, O Predador um dos mais famosos vilões do cinema volta às telas. Liderou as bilheterias do fim de semana com US$ 24 milhões, despachando o primeiro colocado da semana passada, A Freira, para a segunda posição, enquanto outras duas estreias, Um Pequeno Favor e White Boy Rock tiveram estreias que corresponderam às expectativas, mas não enfrentaram O Predador.
O Predador, embora tenha ficado dentro do esperado, teve pouco a comemorar. Lançado 4.037 salas, foi a pior estreia de um filme com personagens reais em circuito com mais de 4.000 salas, tirando do trono da categoria de A Múmia (lançado em 4.035 salas), de 2017, que fechou com US$ 31,6 milhões em 2010. O sexto filme do personagem estreou atrás até mesmo de Predadores (2010), que abriu com US$ 24,76 milhões em somente 2.669 salas e fechou com US$ 52 milhões.
Com um orçamento de US$ 88 milhões O Predador vai ter dificuldade de se pagar, dependendo bastante da bilheteria internacional.
Este sexto filme com o personagem não é mais uma continuação, mas uma refilmagem do original de 1987, com Arnold Schwarzenegger. O remake recebeu uma fraca nota C+ do público na pesquisa CinemaScore no dia da estreia. Desse público, 62% eram homens, com 66% do total com idade igual ou superior a 25 anos. A recepção da crítica não foi melhor, e o site Rotten Tomatoes contabilizou somente 34% de críticas positivas. Comparando, o original de 1987 recebeu 80% de críticas positivas no mesmo site. Lançado no meio da controvérsia gerada pela atriz Olivia Munn, que revelou que o ator Steven Wilder Striegel tinha acusações anteriores de abuso sexual, o filme pode ter sido boicotado, embora suas cenas com o ator tenham sido cortadas e o diretor Shane Black tenha se desculpado pela escolha do ator, que é seu amigo.
Com filmes como Vernon e Nasce Uma Estrela estreando em outubro vai sobrar pouco espaço para O Predador, e como filmes de terror costumam cair depois da 1ª semana, os prognósticos não são bons.
A Freira, também o sexto capítulo de uma franquia (Invocação do Mal), custou quatro vezes menos do que O Predador e foi a melhor abertura da série. Mas esta semana perdeu 66% da bilheteria, a maior queda da série entre a 1ª e a 2ª posição. Faturou US$ 18,2 milhões totalizando US$ 85 milhões, devendo brevemente se tornar o quarto filme da série Invocação do Mal a ultrapassar os US$ 100 milhões em casa. Totaliza US$ 85 milhões em 10 dias, mais do que o primeiro Invocação do Mal à mesma altura. Na esteira do sucesso, a Warner já anunciou um próximo capítulo de Invocação do Mal para 2020.
Um Pequeno Favor estreou com US$ 16 milhões, bom resultado para quem custou US$ 20 milhões. Dois terços do público eram mulheres, a maioria com mais de 25 anos, que foram conferir a história de uma blogger (Anna Kendrick) que usa sua rede nas mídias sociais para encontrar uma amiga desaparecida.
Recebeu um fraco B+ na pesquisa CinemaScore e 83% de tomates frescos no Rotten Tomatoes. Como a bilheteria cresceu 6% de sábado para domingo, tudo leva a crer que a reação do público foi favorável. As previsões são de que ultrapasse O Predador no fim de semana.
White Boy Rick é o segundo filme do último festival de Toronto a estrear em grande circuito. Trata-se do primeiro título americano do diretor francês Yann Demange, conhecido por ´71 Esquecido em Belfast.
White Boy Rick, estrelando Matthew McConaughey e o estreante Richie Merritt, conta a história real do adolescente Richard Wershe Jr., que se tornou informante do FBI aos 14 anos na década de 1980, e acabou preso como traficante. Como o filme anterior do diretor, também é passado no conflito entre as duas Irlandas. Faturou menos do que US$ 9 milhões em 2.504 salas, e perdeu 9% da bilheteria entre sábado e domingo.
A produção de US$ 30 milhões recebeu 64% de críticas positivas apuradas no Rotten Tomatos e um B na pesquisa CinemaScore no dia da estreia.
A última estreia a figurar entre as Top 10 foi o filme religioso Unbroken: Path to Redemption, que foi arrazado pela crítica (25% no Rotten Tomatoes). O filme conta a história de um herói prisioneiro de guerra, que quando volta à vida civil relata como sobreviveu graças a sua fé. Do mesmo diretor de Deus Não Está Morto, faturou somente US$ 2,35 milhões.
Podres de Ricos perdeu somente 34% no quinto fim de semana. Totaliza quase US$ 150 milhões, devendo encerrar carreira entre US$ 185 milhões-US$ 190 milhões em casa.
Missão: Impossível – Efeito Fallout com US$ 2,3 milhões, totalizando mais de US$ 216 milhões. A maior bilheteria da franquiaMissão Impossível e também de Tom Cruise.
Megatubarão, que totaliza US$ 505 milhões globais e Hotel Transilvânia 3, com US$ 503 milhões são os últimos afortunados do clube dos US$ 500 milhões.
Segundo a ComScore, que compila e analisa os dados das bilheterias norte-americanas, a bilheteria do outono está 8,9% à frente da do ano passado e a maior bilheteria do ano continua sendo Pantera Negra com US$ 700 milhões em casa.
No fim de semana as top 10 faturaram US$ 51 milhões, e a bilheteria total somou US$ 106,5 milhões – 11,6% menos do que o último fim de semana, e 5% abaixo do mesmo fim de semana do ano passado.
Bilheteria anual de 2018 totaliza US$ 8,62 bilhões, 9.2% acima de 2017 à mesma altura.
No próximo fim de semana, estreiam O Mistério do Relógio na Parede, da Universal, com Kate Blanchet em mais de 3.000 salas, a Amazon Studios lança Life Itself em 2.500 salas e a Briarcliff lança mais um polêmico documentário de Michael Moore, Fahrenheit 11/9 em 1.500 salas.
Vejamos a semana.
As Top 10
US$ 24.000.000 em 4.037 salas; MPS (média por sala): US$ 4.037; Totaliza: US$ 24.000.000
US$ 16.050.000 em 3.102 salas; MPS: US$ 5.174; Totaliza: US$ 16.050.000
BILHETERIAS INDEPENDENTES
Lizzie, da Roadside Attractions, estreou com US$ 45.000 em quatro salas. O drama biográfico sobre a assassina que eliminava suas vítimas com um machado, Lizzie Borden, estrelado por Chloe Sevigny e Kristen Stewart, faturou US$ 49.895 em quatro cinemas com uma MPS de US$ 12.473. Abre para 250 salas na próxima semana.
Um ano depois da estreia em Toronto, The Children Act, baseado num livro de Ian McEwan e dirigido por Richard Eyre (Notas Sobre um Escândalo), chegou às telas americanas estrelado por Emma Thompson e Stanley Tucci. Faturou US$ 20.362 com uma MPS de US$ 6.787, renda que deve ter sido afetada pelo lançamento simultâneo em streaming.
Museo” (Vitagraph), filme mexicano estrelado por Gael Garcia Bernal liderou as bilheterias independentes da semana. Faturou US$ 17.500 em um a salas, com a ótima MPS de US$ 17.500. Trata-se de uma produção original do YouTube, com lançamento simultâneo nos cinemas.
Mandy, o filme cult com Nicholas Cage, faturou US$ 250.000 em 92 salas, depois de ser exibido nos festivais de Cannes e Sundance 2018. Também já está disponível em diversas plataformas do home vídeo.
The Wife (Sony Pictures Classics), em cartaz há cinco semanas, faturou US$ 1.228.000 em 541 salas (+388), totalizando US$ 3.536.000.
O drama conjugal vivido por Glenn Close e Jonathan Pryce como seu marido que recebe o prêmio Nobel, continua expandindo para mais salas.
BILHETERIAS INTERNACIONAIS
Esta semana a Disney atingiu sua segunda melhor bilheteria global (US$ 6,468 bilhões) , superando os US$ 6,458 bilhões faturados em 2017. Sucessos como Pantera Negra (US$ 1,34 bilhão), Vingadores Guerra Infinita (US$ 2,04 bilhões) e Os Incríveis 2 (US$ 1,18 bilhões) foram os responsáveis pelo bom desempenho do estúdio. A maior bilheteria anual global da Disney continua sendo a de 2016 (US$ 7,6 bilhões).
A Freira faturou US$ 33,1 milhões em 62 países, elevando sua bilheteria internacional para US$ 143,6 milhões e a global para US$ 228,7 milhões.
O Predador abriu com US$ 30,7 milhões em 72 países, totalizando US$ 54,7 milhões globais.
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