CCBB-SP TRAZ A MOSTRA INÉDITA “COSMOLOGIAS DA IMAGEM: CINEMAS DE REALIZAÇÃO INDÍGENA”.

Evento acontece de 26 de abril a 25 de maio, com 33 filmes, debates e sessão comentada.  Entrada Gratuita.

O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo recebe a inédita mostra “Cosmologias da Imagem: cinemas de realização indígena”, de 26 de abril a 25 de maio, com 33 filmes, entre 12 longas e 21 curtas e médias-metragens, destacando o movimento cinematográfico indígena, com filmes experimentais, documentários e filmes-performance.O evento reúne cineastas de diversos povos e de regiões como Maxakali/Tikmũ’ũn, Kuikuro, Yanomami, Mbya-Guarani, Guarani Nhandeva, Tupinambá, Karapotó, Awa Guajá/Tentehara/Guajajara, Huni Kuin, Xakriabá, Mebêngôkre-Kayapó, Baniwa, Krahô, Xavante, Tupi, Fulni-ô e Kaiabi. A seleção cinematográfica apresenta uma linguagem inovadora que transforma a narrativa audiovisual, dando visibilidade à multiplicidade de formas de expressão e resistência cultural dos povos oroginários.

A programação, composta por 17 programas organizados de acordo com os povos indígenas representados na mostra, está organizada nos seguintes eixos temáticos: Terra e Território: Brasil é Terra Indígena, que explora a conexão dos povos com suas terras; Direito à Diferença: Nosso Modo de Vida, Nossas Festas, Nossos Rituais, celebrando as tradições e rituais indígenas; Fluidez da Forma: Encenações e Performance nos Cinemas Indígenas, que destaca as manifestações artísticas nas produções cinematográficas; Cinemas da Floresta, do Sonho e da Luta, que aborda as narrativas de resistência e desafios dos povos indígenas; e Para Adiar o Fim do Mundo, que propõe uma reflexão sobre o futuro e o protagonismo indígena.

Entre os destaques, estão os longas A Transformação de Canuto”, de Ariel Kuaray Ortega e Ernesto de Carvalho (RS), que se passa em uma comunidade Mbyá-Guarani na fronteira entre Brasil e Argentina, e narra a história de Canuto, um homem transformado em onça e morto tragicamente, e Yvy Pyte – Coração da Terra, de Alberto Alvares e Guilherme Cury, que percorre as terras Guarani, rompendo fronteiras físicas e simbólicas. Também se destacam os filmes Ibirapema, de Olinda Tupinambá (Bahia), “Tuíre Kayapó – O gesto do facão”, do Coletivo Beture de Cineastas Mebêngobrê-Kayapó (Pará), “Abdzé Wede’õ – O Vírus Tem Cura?”, de Divino Tserewahú / Xavante (Mato Grosso), Mãri hi – A árvore dos sonhos”, de Morzaniel Ɨramari Yanomami (Roraima), Yuri uxëatima thë – A Pesca com Timbó, de Aida Harika, Roseane Yariana e Edmar Tokorino Yanomami (Roraima), e Thuë pihi kuuwi – Uma Mulher Pensando”, de Aida Harika, Roseane Yariana e Edmar Tokorino Yanomami (Roraima). Os dois últimos curtas são os primeiros filmes dirigidos e filmados por mulheres Yanomami.

A curadoria, realizada por Olinda Tupinambá e Júnia Torres, propõe uma reflexão profunda sobre a pluralidade das culturas indígenas e seus novos protagonismos no cinema. Os filmes selecionados abordam temas como terra, território, rituais e a relação dos povos com a natureza, sempre a partir de uma perspectiva interna, de auto-representação. “Ao partilhar este conjunto de filmes procuramos contribuir para tornar mais visível o atual e importante movimento de ‘demarcação das telas por um novíssimo cinema brasileiro’ – como o definiu Ailton Krenak”, observa Júnia Torres.

“O cinema indígena apresenta um olhar de descolonização à imagem dos indígenas. “É extremamente importante que os povos possam fazer seus próprios filmes, é importante pensar em distribuir essas produções, pois só assim teremos a possibilidade de fortalecer o cinema nacional feito pelos povos indígenas”, completa Olinda Tupinambá.

Sessão de Abertura e Atividades Paralelas

A sessão de abertura acontece no dia 26 de abril, às 18h, com as exibições de “Drill de Kaysara, o Filme” e “Tupinambá na Baixada Santista”, mini-documentários musicais, em formato de clipe de rap, realizados pelo grupo Wescritor, artistas tupinambá da Baixada Santista; “Aguyjevete Avaxi’i”, de Kerexu Martin, uma celebração da retomada do plantio das variedades do milho tradicional do povo Guarani M’Bya na aldeia Kalipety; e “Kaapora, o Chamado das Matas”, de Olinda Tupinambá, sobre a ligação dos povos indígenas com a terra e sua espiritualidade. A sessão será comentada pelas diretoras e diretores.

Além dos filmes, a programação inclui atividades paralelas, como a mesa-redonda no dia 30/04, quarta-feira, às 18h, com o tema ‘Cosmologias nas imagens, política das imagens, lutas e conquistas indígenas‘, com as participações de Olinda Tupinambá, cineasta indígena e curadora da mostra, Sérgio Yanomami, cineasta indígena, Vincent Carelli, indigenista e documentarista, e mediação da curadora Júnia Torres. Também haverá uma sessão com medidas de acessibilidade [legendagem descritiva].

A realização da mostra ‘Cosmologias da Imagem: cinemas de realização indígena’ é da Filmes de Quintal, com a coordenação de Júnia Torres, produção de Arthur Medrado, Cora Lima e Clara Olac, e a produção executiva de Tatiana Mitre para a Amarillo Produções. A programação está disponível no catálogo virtual, que poderá ser baixado gratuitamente durante o período do evento.

SERVIÇO

Mostra “Cosmologias da Imagem: cinemas de realização indígena”

Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo

Período: 26 de abril a 25 de maio

Entrada Gratuita

Classificação indicativa: Todos os filmes são Livres, exceto “A Transformação de Canuto” e “Ibirapema” (14 anos)

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico – SP

Funcionamento: aberto todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras

 

SINOPSES DOS FILMES ORGANIZADOS TEMATICAMENTE

“TERRA E TERRITÓRIO: BRASIL É TERRA INDÍGENA”

Tava, A Casa de Pedra

Rio Grande do Sul, 78’, 2012

Direção: Vincent Carelli, Patricia Ferreira (Yxapy), Ariel Duarte Ortega, Ernesto Ignacio de Carvalho.

Memória, mito e história Mbya-Guarani sobre as reduções jesuíticas e a guerra guaranítica do século XVII no Brasil, Paraguai e Argentina.

Ava Yvy Vera – Terra do Povo do Raio 

Mato Grosso do Sul,  52’, 2016

Direção: Genito Gomes, Valmir Gonçalves Cabreira, Johnaton Gomes, Joilson Brites, Johnn Nara Gomes, Sarah Brites, Dulcídio Gomes, Edna Ximenes.

Uma invenção formal com conteúdo de denúncia, o filme nos ensina sobre resistência e vida nas retomadas no Mato Grosso do Sul, revelando uma outra forma de o cinema se relacionar com a terra e com os elementos cósmicos. Exibido no DocLisboa em 2018, foi destaque também em festivais brasileiros por sua linguagem cinematográfica inteiramente aberta ao modo de ser (nhanderekô) e de se documentar guarani-kaiowá. Premiado pelo Júri Jovem e pelo Júri Oficial do VIII Cachoeira.Doc como melhor filme.

ATL – Acampamento Terra Livre

Minas Gerais, 17’, 2017

Direção: Edgar Kanaykõ

Em abril de 2017, em Brasília, povos indígenas de todas as regiões do país e das mais diversas etnias reuniram milhares de lideranças no maior Acampamento Terra Livre da história, exigindo seus direitos, que têm sido sistematicamente vilipendiados.

ZAWXIPERKWER KA’A – Guardiões da Floresta 

Maranhão,  50’, 2018

Direção: Jocy Guajajara

O filme apresenta, de dentro e com intensa proximidade, as atividades dos Guardiões da Floresta, um grupo que defende seu território com a própria vida – tanto  sentido literal quanto com suas câmeras. Uma obra de ação real e suspense, na qual a câmera, para além do cinema direto, adquire novos usos e se torna um mecanismo de vigilância, uma aliada imprescindível  nas ações de defesa do grupo. Aqui, uma câmera que não caça – como nos clássicos do cinema –, mas uma câmera que defende: o território, os indígenas, o que resta da floresta, todos nós. O filme abriu o Festival Autres Brésils, na França, em 2020.

Nūhū Yãg Mū Yõg Hãm: Essa terra é nossa! 

Minas Gerais, 70’, 2020

Direção: Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu, Roberto Romero

Antigamente, os brancos não existiam e nós vivíamos caçando com os nossos espíritos yãmĩyxop. Mas os brancos vieram, derrubaram as matas, secaram os rios e espantaram os bichos para longe. Hoje, as nossas árvores compridas acabaram, os brancos nos cercaram e a nossa terra se tornou pequenininha. Mas os nossos yãmĩyxop são muito fortes e nos ensinaram as histórias e os cantos dos antigos que andaram por aqui.

Yvy Pyte – Coração da Terra  

Mato Grosso do Sul e Paraguai, 110’, 2023

Direção: Alberto Alvares e Guilherme Cury

Em “Yvy Pyte”, Alberto Alvares e José Cury traçam um percurso cinematográfico entre terras Guarani, desfazendo fronteiras físicas e simbólicas. O filme, entrelaçando sonhos, cantos e caminhos, revela a busca coletiva pelo tekoha, desafiando as imposições coloniais e revelando a ligação profunda entre espiritualidade, terra e liberdade. Palavras, cânticos e imagens aéreas costuram uma narrativa poética que desdobra a resistência Guarani e recria um mapa contra-colonial.

Ava Yvy Pyte Ygua – Povo do Coração da Terra 

Mato Grosso do Sul, 39’’, 2024

Direção: Coletivo Guahu’i Guyra

Um canto sagrado que protege a terra com os raios que contam a própria história do começo da Terra. Uma história contada pelas pessoas que nasceram no coração da terra.

“DIREITO À DIFERENÇA: NOSSO MODO DE VIDA, NOSSAS FESTAS, NOSSOS RITUAIS”

Bicicletas de Nhanderu

Rio Grande do Sul, 48’, 2011

Direção: Kuaray Poty (Ariel Ortega), Pará Yxapy (Patrícia Ferreira)

Uma imersão na espiritualidade presente no cotidiano dos Mbyá-Guarani da aldeia Koenju, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul.

As Hiper Mulheres 

Mato Grosso, Xingu, 79’, 2011

Direção: Takumã Kuikuro, Leonardo Sette, Carlos Fausto

Temendo a morte da esposa idosa, um velho pede que seu sobrinho realize o Jamurikumalu, o maior ritual feminino do Alto Xingu (MT), para que ela possa cantar uma última vez. Enquanto as mulheres do grupo começam os ensaios, a única cantora que de fato sabe todas as músicas se encontra gravemente doente.

Yãmiyhex, as mulheres espírito 

Minas Gerais, 76’, 2019

Direção: Sueli Maxakali e Isael Maxakali

As yãmĩyhex, mulheres-espírito, se preparam para partir após passar um tempo na Aldeia Verde. Os preparativos para a grande festa de despedida. Elas se vão, mas sempre voltam com saudades de pais e mães. Sueli é uma das primeiras mulheres indígenas cineastas no Brasil. Seus filmes co-realizados com Isael Maxakali, foram premiados em diversos festivais e destacados pela crítica. Em Yãmiyhex temos a chance de acompanhar o raro ritual das mulheres-espírito na Aldeia Verde, ritual que reviveu pela proposta do filme. Prêmio Olhos Livres na Mostra de Cinema de Tiradentes em 2020.

Sigyjat –  A Pesca de Timbó

Mato Grosso, Xingu,  52’, 2023

Direção: Aruti Kaiabi, Ewa Kaiabi, Juirua Kaiabi, Kujãesage Kaiabi,

Mairiwata Kaiabi, Reai’i Kaiabi, Reiria Kaiabi, Rywa Kaiabi, Ukaraiup

Kaiabi, Urukari Kaiabi e Wyiry Kaiabi

Na época da seca, nós, os Kaiabi da aldeia Guarujá, nos reunimos para fazer a pescaria do timbó. É uma pescaria coletiva que tem regras e cuidados, mas é muito alegre e divertida e garante muito peixe para as famílias.

Rami Rami Kirani 

Acre, 33’, 2023

Direção: Lira Mawapai HuniKui e Luciana Tira HuniKui

Até pouco tempo, as mulheres Huni Kuin não podiam consagrar e preparar o Nixi Pae (ayahuasca), apenas os homens detinham o conhecimento sobre o poder dessa medicina. Este filme acompanha os aprendizados, as transformações e a força da ayahuasca através da vivência das mulheres Huni Kuin.

Ketwajê 

Tocantins, 77’, 2023

Mentuwajê Guardiões da Cultura – Krahô e Coletivo Beture – Mebêngôkre-Kayapó

O grupo Mentuwajê Guardiões da Cultura (jovens cineastas Krahô) convida o Coletivo Beture (Mebêngôkre-Kayapó) para visitar sua aldeia e acompanhar a festa de Kêtwajê – um importante ritual de iniciação que não acontecia há dez anos. Durante vários dias, crianças e adolescentes passam por diversas “provas” para se transformarem em adultos guerreiros, perante o olhar atento e compartilhado entre os cineastas locais e os convidados Mebêngôkre-Kayapó.

“A FLUIDEZ DA FORMA”: TRANSFORMAÇÃO, ENCENAÇÃO E PERFORMANCE”

O verbo se fez carne

Alagoas, 6’, 2019

Direção: Ziel Karapotó

Curta experimental que apresenta a perspectiva da contracolonização por meio de uma sofisticada performance do artista e diretor do povo Karapotó, o jovem Ziel, que alia artes visuais e cinema ao colocar seu corpo em cena para tornar presentes os macroprocessos civilizatórios e os choques culturais que estes provocam. O filme se destaca por sua ousadia formal e foi exibido em importantes festivais de cinema do Brasil desde seu lançamento.

Kaapora, o chamado das matas 

Bahia, 20’, 2020

Direção: Olinda Muniz Wanderley (Yawar/Tupinambá)

Uma narrativa da ligação dos Povos Indígenas com a Terra e sua Espiritualidade, do ponto de vista da indígena Olinda, que desenvolve um projeto de recuperação ambiental nas terras de seu povo. Tendo a cosmovisão indígena como lente, a Kaapora e outros personagens espirituais são a linha central da narrativa e argumento do filme. PRÊMIOS: III FFEP – Festival do Filme Etnográfico do Pará – Melhor Curta Metragem da Mostra competitiva Divino Tserewahú; 12º Cinefantasy – Menção Honrosa da Mostra Competitiva Brasil Fantástico.

Ibirapema

Bahia, 50’, 2022

Direção: Olinda Tupinambá

Viajando entre o mundo mítico e o mundo cotidiano, Ibirapema, uma indígena Tupinambá, se transmuta e percorre o espaço e o tempo, dialogando, por onde passa, com o mundo da arte ocidental, com a cidade e seus espaços de concreto e florestas domesticadas.

A Transformação de Canuto

Rio Grande do Sul, 130’, 2023

Direção: Ariel Kuaray Ortega e Ernesto de Carvalho

Em uma pequena comunidade Mbyá-Guarani entre o Brasil e a Argentina, todos conhecem o nome Canuto: um homem que, muitos anos atrás, sofreu a temida transformação em uma onça e depois morreu tragicamente. Agora, um filme está sendo feito para contar a sua história. Por que isso aconteceu com ele? Mas, mais importante, quem, na aldeia, deveria interpretar seu papel?

Tupinambá na Baixada Santista  

São Paulo, 6’, 2022

Direção: Wescritor

Mini-documentário musical em formato de videoclipe de rap, criado por Wescritor e artistas tupinambá da Baixada Santista.

Drill de Kaysara, o Filme 

São Paulo, 6’, 2024

Direção: Wescritor

Mini-documentário musical, em formato de clipe de rap, criado por  Wescritor e artistas tupinambá da Baixada Santista.

“CINEMAS DA FLORESTA, DO SONHO E DE LUTA”

Hekura

Amazonas, 25’, 2018

Direção: Núcleo de Audiovisual Xapono Yanomami (NAX)

Registro do encontro de xamãs das comunidades Yanomami do Rio Marauiá.

Karemona 

Amazonas, 13’, 2019

Direção: Romeu Iximawëteri Yanomami / Núcleo Audiovisual Xapono – NAX

Crianças yanomami mostram como buscar os frutos de karemona na floresta para saborear e fazer pequenas flautas.

Mãri hi – A árvore dos sonhos

Roraima, 17′, 2023

Direção: Morzaniel Ɨramari Yanomami

Quando as flores da árvore Mãri desabrocham, surgem os sonhos. As palavras de um grande xamã conduzem uma experiência onírica através da sinergia entre cinema e sonho yanomami, apresentando poéticas e ensinamentos dos povos da floresta.

Yuri uxëatima thë – A Pesca com Timbó

Roraima, 10’, 2023

Direção: Aida Harika, Roseane Yariana e Edmar Tokorino Yanomami

Dois jovens realizadores yanomami descrevem o processo de pesca com timbó, cipó tradicionalmente empregado para atordoar os peixes. O encontro de vozes e perspectivas sugere o reencantamento das imagens como forma de contar história.

Thuë pihi kuuwi – Uma Mulher Pensando

Roraima, 15’, 2023

Direção:  Aida Harika, Roseane Yariana e Edmar Tokorino Yanomami

Uma mulher yanomami observa um xamã durante o preparo da yãkoana, alimento dos espíritos. A partir da narrativa de uma jovem mulher indígena, a yãkoana, que alimenta os Xapiri e permite aos xamãs adentrarem o mundo dos espíritos, também propõe um encontro de perspectivas e imaginações.

Ngoko’ohn  

Pará, 2020, 33’

Direção: Beptemexti Kayapó (Coletivo Beture)

A comunidade da aldeia mãe Kubenkrãkej se organiza para realizar o ritual de Ngoko’ohn, a tradicional batida do timbó.

Menire djê 

Pará, 2021, 14’

Direção: Bepunu Kayapó (Coletivo Beture)

Uma mulher colhe e prepara o jenipapo, faz a tintura e pinta sua filha com os grafismos que domina. Fala sobre as pinturas e a beleza mebêngôkre.

Menire djapej – o trabalho das mulheres

Pará, 2022, 9’

Direção: Kokokaroti Txukahamãe Metuktire, Nhakmô Kayapó, Nhakpryky Metuktire, Bepunu Kayapó (Coletivo Beture)

Três mulheres vão para a roça apanhar batata e retornam para a aldeia. O filme acompanha a coleta e o preparo do alimento tradicional kayapó na aldeia Wani Wani T.I. Capoto Jarina.

Tuíre Kayapó – O gesto do facão 

Pará, 10’, 2023

Direção: Coletivo Beture | Patkore Kayapó e Simone Giovine,

A guerreira Tuire relata para o neto Patkore detalhes sobre o lendário gesto do facão na mobilização contra a Eletronorte, em Altamira (PA), no ano de 1989.

Mebêngôkre pyka mã ruwyk â ujarej | A Chegada dos Mêbengôkre na Terra 

Mato Grosso, 10′, 2024

Direção: Kokokaroti Txucarramãe, Matsipaya Waura Txucarramãe, Simone Giovine  (Coletivo Beture)

O cacique Raoni conta aos jovens cineastas Kayapó a história da chegada dos Mebêngôkré na Terra, repassada de geração em geração desde os tempos dos antigos.

“PARA ADIAR O FIM DO MUNDO”

Aguyjevete, Avaxi’i

São Paulo, 21’, 2023

Direção:  Kerexu Martin

Uma celebração da retomada do plantio das variedades do milho tradicional do povo Guarani Mbya na aldeia Kalipety, onde antes havia uma área seca e degradada, consequência de décadas de monocultura de eucalipto.

“Bakish Rao: plantas en lucha” 

Amazonas/Brasil e Peru, 30’, 2024

Direção: Denilson Baniwa e Comando Matico

Curta-metragem de ficção científica realizado pelo coletivo de artistas Comando Matico, do povo Shipibo-Conibo (Amazônia peruana), e pelo artista Denilson Baniwa (Amazônia brasileira). O filme especula sobre o futuro do planeta Terra sob a perspectiva das plantas, propondo uma especulação entre diferentes espécies para discutir formas de resistência à monocultura, à hierarquização entre formas de vida e à homogeneização ecológica e do pensamento.

Os Sonhos Guiam 

São Paulo, 20’, 2023

Direção: Natália Tupi

Para o povo Guarani Mbya, os sonhos são como se fossem portais para tudo aquilo que não vivemos no mundo físico. Este filme retrata algumas das experiências espirituais e sensoriais do jovem líder indígena Mateus Wera, morador da Terra Indígena Jaraguá, em São Paulo. Os sonhos compartilhados são a conexão entre ele e o irmão, Karaí Poty, e entrelaçam os caminhos da vida do cacique nas lutas atuais do seu povo.

Wadja 

Pernambuco,  28’,  2024

Direção: Narriman Kauane

O documentário biográfico conta a vida e carreira de Marilena Araújo, Wadja, mulher indígena, defensora das causas indígenas, da cultura e fundadora da Escola Bilíngue Antônio José Moreira. Apresenta a sua atuação pioneira na educação indígena e no ensino didático da língua materna do povo Fulni-ô, o Yaathe.

Abdzé Wede’õ – O Vírus Tem Cura? 

Mato Grosso, 53′, 2021

Direção: Divino Tserewahú

Narrado em primeira pessoa por Divino Tserewahú, o filme destaca a luta de sua aldeia, Sangradouro, ao leste de Mato Grosso, para sobreviver à trágica epidemia. Através de materiais de arquivo e imagens captadas por Divino durante a pandemia, o filme busca relacionar um passado traumático com a realidade da Covid-19 nas aldeias Xavante. Filme premiado no forumdoc.bh.2022 como Melhor Documentário da Mostra Contemporânea Brasileira.

SOBRE AS CURADORAS

Olinda Tupinambá

Jornalista, curadora, performer, cineasta e ativista ambiental. Indígena do povo Tupinambá e Pataxó Hãhãhãe. Iniciou seu trabalho com audiovisual em 2015, entre documentários, ficção e performance. Produziu e já produziu 10 obras audiovisuais próprias e independentes. Foi curador de diversos festivais e mostras de cinema, entre eles o Festival de Cinema Indígena Cine Kurumin (2020) (2021) (2024), Mostra Lugar de Mulher é no Cinema (2020) e (2021) 1º Festival de Cinema e Cultura Indígena – FeCCI (2022). Produtora de duas mostras de cinema: Mostra Paraguaçu de Cinema Indígena (2017) e Amotara – Olhares das Mulheres Indígenas (2021). Curadora do Festival Visões Periféricas (2025) Coautora do Doc/Especial TV Falas da Terra, uma produção Estúdios Globo. Comissão Julgadora do Edital nº 02/2022/Spcine – Produção de longas-metragens de baixo orçamento, Estado de São Paulo. Júri do 24 Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (2023).

Júnia Torres

Antropóloga, documentarista, programadora de mostras de cinema, é co-fundadora e organizadora do forumdoc.bh e integra o coletivo Filmes de Quintal. Como curadora, organizou, entre outras as mostras Mekukradjá, Círculo de Saberes (Itaú Cultural de 2015 a 2021); Mekarõ Ti: Mostra-seminário Coletivo Beture de cineastas Mebêngôkre (forumdoc.bh.2024); Mostra de Cinemas Indígenas: Cinemas da Terra e da Vida; (CineSesc SP, 2024); Mostra/Seminário A Câmera é a Flecha, A Câmera é a Cesta: cinemas Krahô, Tupinanbá, Kuikuro, Kaiabi e Guarani (2023); Mostra Agosto Indígena (CineSesc SP, 2023); Agosto Indígena: Rituais Contemporâneos e Cinema (2022); Mostra Imagens Indígenas do Sul e do Norte: cinemas yanomami-inuit / forumdoc.bh.2022; Abril Indígena, Plataforma digital CineSesc SP (2022), A fluidez da forma no cinema indígena, na plataforma Embaúba Filmes (2021); Cinema, Território Ameríndio, Sesc Palladium, Belo Horizonte, (2017).  Atualmente é roteirista e diretora de produção da série audiovisual O Futuro da Terra, dirigida por Alberto Alvares Guarani e Claudiney Ferreira.

SOBRE OS CONVIDADAS | CONVIDADOS 

Kerexu Martim

Jovem cineasta, vive na Tekoha Kalipety, território Mbya-Guarani, estado de São Paulo, localizada na terra indígena Tenondé Porã, extremo sul da capital. Kerexu já realizou um curta sobre resgate da semente sagrada (Avaxi ete’i,) do seu povo Guarani mbya, dirigiu e editou seu filme Aguyjevete Avaxi’i (2023), que teve sua primeira mostra no Cine Sesc SP. Também é desenhista e ilustradora.

Sérgio Yanomami

Sérgio em casa coletiva na região do rio Pukima, afluente do rio Marauiá no Amazonas, Brasil. Desde jovem acompanha o trabalho de seu pai, respeitado xamã yanomami, e de não-indígenas na assistência à saúde de sua comunidade. É liderança, agente de saúde indígena, Integrante do Núcleo Audiovisual Xapono (NAX) de cinema yanomami, é curador da mostra “Nossa Imagem é Nossa Defesa”, realizada  no forumdoc.bh.2023 e no CCSP.

Vincent Carelli

Indigenista e documentarista, fundador do Vídeo nas Aldeias (1986), organização dedicada a ações de fortalecimento das culturas e dos povos indígenas mediadas pela imagem e à formação de cineastas indígenas. Recebeu o Prêmio Unesco pela promoção da diversidade cultural e busca por relações de paz interétnicas. Vídeo nas Aldeias recebeu  a Ordem do Mérito Cultural. Sua trilogia Corumbiara, Martírio e Adeus, Capitão foi premiada em diversos festivais. Carelli recebeu o Prêmio Prince Claus nos Países Baixos por sua militância pelo cinema indígena. Dedica-se, atualmente, à devolução e abertura do acervo constituído pelo VNA aos diferentes povos com os quais trabalhou durante toda a vida.

Wescritor

Artista indígena Tupinambá da Baixada Santista é músico, produtor, escritor, ator e compositor. Sua obra é pautada em temas como questões raciais, amor e espiritualidade. Co-fundador do Selo Musical Palavrando, participou do YBY Festival, 1º Festival de música indígena contemporânea em 2019, e no QC Jovem, em Guarulhos. Wes tem divulgado sua poesia, arte e música por diferentes espaços. O rapper iniciou sua carreira musical em 2017. Seus videoclipes em forma de curtas-metragens narram e refletem sobre a vivência de seu povo e contam com a produção de seu irmão Walla Tupi que participa ativamente dos processos criativos de seus clipes documentais e performativos.