
Por Celso Sabadin.
Nestes tempos onde tudo parece tão complicado, multifacetado e a um passo do abismo de intermináveis polêmicas vazias, uma estreia nos cinemas se destaca pela simplicidade: “Normandia Nua”. E não se trata de uma simplicidade vazia, mas sim de uma bem-vinda sensação de uma antiga ingenuidade rural que parece sobre-existir somente na ficção.
Coerentemente, tudo se passa na pequena e charmosa vila francesa de Mêle sur Sarthe, na Normandia (que de fato existe, e conta com menos de mil habitantes), onde os pecuaristas estão em crise por causa da queda do preço da carne. Não bastassem os complicados mecanismos do mercado internacional – de difícil compreensão para os produtores locais – os novos tempos ainda trazem a ascensão do veganismo e do vegetarianismo, o que transforma os criadores de gado quase que em criminosos da contemporaneidade.