“MAYDAY”, COM O SABOR DOS ANOS 1980.

Por Celso Sabadin.

Há algo de nostálgico em “Mayday”. Não apenas pela sua ambientação – nos últimos anos da Guerra Fria – como também pelo seu roteiro e estilo de direção.  

Ryan Reynolds interpreta Troy, um piloto da marinha estadunidense (“sim, é um pouco confuso porque a marinha tem navios e aviões”, como diz o próprio personagem) que durante uma missão secreta cai no território inimigo da então União Soviética. Ferido, ele é acolhido por Nikolai (Kenneth Branagh) um ex-agente da KGB apaixonado pela cultura popular dos EUA.

Sim, claro que ambos – vindos de lados opostos da política internacional – desenvolverão improváveis laços de amizade e percorrerão o tal do “arco dramático” transformador dos protagonistas em pessoas melhores das que eles eram antes do início do filme. Ou seja, o tipo do roteiro que a gente viu às toneladas no século passado, como Máquina Mortífera, 48 Horas , Running Scared, Tango & Cash, Cores da Lei, Inimigo Meu… a lista é enorme.

Aos poucos, vamos percebendo que a pegada de “Mayday” é exatamente essa: conquistar um tipo de público que vivenciou aquela mistura de tiro/porrada e bomba + ingenuidade do  cinema daquela época, e que provavelmente vive hoje num estado de desilusão com o que o nosso planeta se transformou. Escapismo total.

O filme traz diálogos divertidos, algumas cenas de luta que lembram as coreografias Jackie Chan, o inevitável momento sentimental, a famosa cena de perseguição exagerada no final, e permite até que um ator britânico interprete um personagem russo, o que é considerado hoje “falta de lugar de fala”, mas era muito comum antigamente.

Se você assistir “Mayday” na televisão é capaz de achar que está vendo Sessão da Tarde. Dá um quentinho no coração.

Ah, como se trata de uma produção para o streaming, “Mayday” traz uma grande dose de redundância de piadas (como as do “Top Gun”, por exemplo), seguindo as orientações contemporâneas de repetir muitas vezes as mesmas informações porque provavelmente sua audiência está vendo mais a tela do celular que a do filme.    

“Mayday” é escrito e dirigido por John Francis Daley e Jonathan Goldstein. Não me perguntem onde está passando. Vi pirata, como a gente fazia nos anos 80.  

PS.: A assessoria de imprensa entrou em contato comigo avisando que o filme está disponível na plataforma de streaming Apple TV. Valeu!