Por Celso Sabadin.
Se Toni Servillo fez algum filme ruim na vida, eu não vi. Em “Os Trapaceiros de Garibaldi”, ele interpreta a figura real de Vincenzo Orsini, oficial de fundamental importância estratégica na luta de Giuseppe Garibaldi pela unificação da Itália, em 1860. A ação se concentra na chamada “Expedição dos Mil”, momento em que Orsini comandou uma coluna de sicilianos socialmente excluídos e pouco treinados rumo à tomada de Palermo, na luta contra o exército Bourbon.
Mas engana-se quem pensar que o longa é um mero drama histórico de glorificação do passado italiano. Nada disso. O roteiro de “Os Trapaceiros de Garibaldi” – assinado por Ugo Chiti,

Massimo Gaudioso e pelo próprio diretor Roberto Andò – traz o evento para o presente, evidentemente tomando liberdades poéticas para tal. Uma das frases ditas por Orsini no filme (“Estamos entrando numa era em que charlatães serão formadores de opinião”) é um bom indicador disso, mas cinema é cinema, e história é história.
Com excelente produção e um bem-vindo tangenciamento com a boa e velha comédia italiana, “Os Trapaceiros de Garibaldi” carrega também um forte subtexto de críticas à sociedade e à política daquele país. A transformação do que era o sonho de uma suposta unificação libertadora em uma triste mistura de prostituição e corrupção das elites é um soco no estômago dado com precisão e elegância.
Não por acaso, o título original do filme é “L’Abbaglio”, algo como erro ou ilusão.