
Por Celso Sabadin.
Se a ideia era traçar o retrato de uma Sarah Bernhardt irritante, o diretor Guillaume Nicloux acertou em cheio. Já em cartaz em cinemas brasileiros, e entrando em sua segunda semana de exibição nesta quinta-feira, 23/07, “A Divina Sarah Bernhardt” retrata trechos da vida da chamada “atriz mais famosa da história”, personalidade que viveu intensamente a efervescente virada do século 19.
O roteiro de Nathalie Leuthreau, neste que é o seu segundo longa para cinema, constrói uma protagonista de difícil identificação, potencializando uma egolatria pautada pelo egoísmo que teria como origem o abandono familiar vivenciado por Sarah. As inseguranças se transformam em autopiedade e evoluem cruelmente para a maldade, jogando a personagem num perigoso limbo de empatia.
Há sim, porém, prazeres compensatórios de fruição, como, por exemplo, a sempre ótima Sandrine Kiberlain no papel título, e todo um esmero de produção que normalmente caracteriza o filme francês de época (aqui no caso, em coprodução com a Bélgica). Não por acaso, “A Divina Sarah Bernhardt” foi indicado aos prêmios César de Figurino e Desenho de Produção.